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Gabriel nasceu em 1988, na Colômbia, e foi adotado por uma família norueguesa em 1989. Cresceu em uma pequena e bela cidade no leste da Noruega e era o único moreno entre as crianças loiras.
 
“Você pode ver esse garoto mais escuro no meio de meninos loiros de olhos azuis em nossa foto da turma do jardim de infância. Eu estava ciente de quão diferente era quando eu era criança. Minha família é muito gentil e compreensiva. Então chegou o dia em que tivemos a conversa: 'Sim, Gabriel... Você não é norueguês, mas isso não significa que o amamos menos. Você pode ser um pouco diferente, mas é tão importante quanto qualquer outra pessoa. Estaremos aqui para apoiá-lo, caso decida procurar suas raízes '.”
 
“Naquele dia, estávamos na sala de estar e eu disse ao meu pai: ‘Estamos em 2009. Vivemos na época da tecnologia. Existe o Facebook. E se a minha mãe biológica tiver um perfil no Facebook?’. Eu sei o nome dela, a cidade em que ela vivia e o seu ano de nascimento. Eu ainda tinha essa foto antiga em preto e branco nas minhas mãos, embora fosse difícil imaginar a aparência da minha mãe apenas ao olhar essa foto”.
 
“Nós nos conectamos ao Facebook e eu procurei pelo nome completo da minha mãe. Um nome espanhol, muito comum na Espanha e na América do Sul. Milhares de perfis apareceram. Primeiramente, pensei: ‘impossível encontrá-la’, mas queria tentar”.
 
“Deparei-me com esse perfil depois de algum tempo. O nome completo, a cidade e o ano de nascimento correspondiam. 'Poderia ser?', pensei. Eu não falava nada de espanhol naquela época. Meu pai falava um pouco, depois de passar um tempo na Colômbia. Embora fosse simples, ele me ajudou a escrever uma mensagem:
 
‘Olá, meu nome é Gabriel Castaño (o nome dado pela minha mãe). Eu nasci em Bogotá, em 1988. Você tem o mesmo nome da minha mãe, assim como seu ano de nascimento e local onde vive. Tenho 21 anos, moro na Noruega atualmente. Estou à procura da minha mãe biológica. Alguma chance de ser você? Melhores cumprimentos’.
 
“Eu estava realmente animado. Não obtivemos resposta nos dias seguintes e, então, o perfil desapareceu. Não fazia sentido. Ou escrevi à pessoa errada, ou escrevi para a pessoa certa e causei algum pânico. Nenhuma resposta pelos próximos três anos. Então, em uma noite, no fim destes três anos, notei uma solicitação de amizade ao checar minha conta no Facebook. Você deveria perguntar ao meu amigo como eu fiquei no momento, pois eu não tenho lembranças disso. Estava totalmente em choque. O perfil tinha o nome da minha mãe. Era a pessoa para quem eu tinha escrito três anos antes. Começamos a conversar. Eu não falava espanhol do mesmo modo que a minha mãe não falava inglês. Tentávamos nos comunicar por meio do Google Tradutor, porém era difícil. No fim, decidi visitá-la no meu aniversário”.
 
“Foi como nos programas de TV nos quais pessoas se reúnem depois de anos... Nosso encontro na Colômbia foi assim. A minha mãe e a sua família de um lado, eu e a minha família norueguesa do outro... Nós nos abraçamos em um círculo. A minha mãe começou a dizer coisas que eu não compreendia”.
 
Esta é a sua história:
 
“Quando a minha mãe percebeu que estava grávida de mim e contou ao meu pai, ele fez o que a maioria dos homens colombianos faz e a abandonou. Ela estava grávida e foi deixada sozinha sendo muito jovem. A sua avó era muito velha e era inaceitável que ela tivesse um bebê nascido fora do casamento. Portanto, a minha mãe não teve coragem de contar à sua família.
 
Ela foi para Bogotá e decidiu encontrar um emprego e ficar lá. Nasci prematuramente em 1988 no hospital. Aparentemente, tive algumas complicações ao nascer, algumas das quais poderiam ter sido fatais. Um dia levaram-me para um tratamento e foi a última vez que ela me viu. Ela não conseguiu me encontrar. Decidiu então voltar para casa e não mencionar o assunto.
 
A família da minha mãe não sabia sobre a minha existência. Ela nunca pensou que eu poderia encontrá-la. Quando recebeu a minha mensagem três anos antes, ela não conseguiu acreditar e não sabia o que fazer. Levou três anos para que ela contasse à sua família sobre mim. Eles reagiram positivamente e ela decidiu me contactar”.
 
Gabriel aprendeu espanhol depois disso. Ocasionalmente, ele vai à Colômbia para passar um tempo com a sua mãe e irmã. Agora ele tem duas famílias. Uma na Noruega, outra na Colômbia.